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terça-feira, 15 de maio de 2012

A mulher da nova classe média

O Brasil mudou e se a nova classe média e seus valores pudesse ter um rosto, este seria o da mulher da nova classe média, por se tratar de uma pessoa conectada, que chama para si a responsabilidade, é o que afirma Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular, baseando-se em dados apurados pelo seu instituto e pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística).

Dentre eles:
* o fato delas representarem 99 milhões de pessoas no País, sendo 53% desse montante pertencente a nova classe média, que contribuiu para o aumento de renda brasileira;
* a massa de renda feminina já chega a R$693,5 bilhões;
* 62% delas preferem consumir produtos brasileiros;
* cada mulher, com idade a partir de 16 anos, possui em média 1,3 cartão de crédito. Detalhe: atualmente 87 milhões de cartões são utilizados no país.

Um aviso para o mercado

Pelas  considerações feitas por ele, de acordo inclusive com outros números da pesquisa, foi possível concluir que:
* a mulher de hoje não espera pelo governo, pelas empresas ou por instituições religiosas;
* uma empresa não vai conseguir ser líder de mercado se não conquistar a mulher da nova classe média: que é mais escolarizada que o homem, controladora das despesas domésticas, dos gastos com artigos masculinos (incluindo a compra de veículos) e com materiais tecnológicos, além de cuidar pessoalmente da educação dos filhos.

Com tantas tarefas acumuladas, ele lembra também que a mulher de hoje não quer gastar tanto tempo na cozinha, até porque tempo é o que ela menos tem e quando sobra algum espaço, procura valorizá-lo em companhia da família. Outro fator que reafirma essa condição é o fato de 71% delas não priorizarem o trabalho, mas sim a educação dos filhos e a delas em primeiro lugar.

"Ao invés de criarem uma revolução, com todos esses quesitos, elas tentam viver em harmonia diante de todas essas tarefas, conciliando os valores tradicionais de gerações passadas ao seu tempo e ao seu novo papel na sociedade. E isso é apenas o começo", concluiu Meirelles.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Quanto paga o fast-fashion?



Reprodução
Colaboração da Proenza Schouler com a Target
Quando Blog LP conversou com Flavio Rocha, da Riachuelo, no evento do Fashion Five, ele mais uma vez bateu na tecla de que as marcas e estilistas parceiros do fast-fashion não só ganham popularidade como não perdem o respaldo “premium” de suas criações – “Ambas as pontas saem ganhando”, ele sempre diz. Bom, pelo menos no exterior o “New York Times” apurou que o ganho imediato, na conta bancária mesmo, também é bom e tem ficado ainda melhor. Segundo o jornalista Eric Wilson, o valor do contrato em média aumentou mais que o dobro nos últimos 5 anos. Quer ver? Confere aí:
Karl Lagerfeld para H&M, 2005: US$ 1 milhão
Stella McCartney para H&M, 2005: US$ 1 milhão
M by Madonna, da H&M, 2007: US$ 4 milhões
Proenza Schouler no Go International da Target, 2007: não se sabe o número certo, mas se sabe que ele tem 7 dígitos – ou seja, no mínimo US$ 1 milhão.
Versace para H&M, 2011: baseado em porcentagem de vendas, e com garantia no contrato de um investimento financeiro maior em publicidade e promoção. Pra dar uma noção, em 2007, dizem que Madonna rendeu US$ 20 milhões pra H&M.


Bem, esse é um exemplo prático da tão falada classe média. Em números concretos é possível ter uma ideia do volume de negócios que podem ser realizados com esse público.

Acho que essa informação pode servir de alerta às empresas que ainda não perceberam a força desses consumidores.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Brasileiro da Alta-Costura Prepara Linha para Classe C

O mineiro Gustavo Lins passou a integrar, em 2011, seleto grupo de estilistas
A alta-costura francesa se tornou algo raro. Das mais de 60 grifes que existiam após a Segunda Guerra Mundial, restaram hoje, por razões diversas, apenas 11. E um brasileiro passou a integrar o seletíssimo grupo de estilistas de que podem utilizar a denominação "alta-costura", termo protegido por lei na França: o mineiro Gustavo Lins. Após conquistar espaço no concorrido mercado francês, ele irá agora utilizar seus talentos em projetos ligados ao Brasil.
Atualmente, ele negocia com uma marca brasileira, cujo nome prefere não revelar, a criação de uma linha de roupas que visa também o mercado internacional. A primeira peça de vestuário dessa parceria deverá ser lançada no final deste ano, contou o costureiro ao Valor. "Os artigos seriam inicialmente voltados para a classe A, mas a ideia é democratizar a coleção e fazer produtos de qualidade, em outras versões, para as classes C e D", afirma.
O costureiro também realizará neste ano a formação de mão-de-obra têxtil no país, graças a um acordo já firmado com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG).
Lins é o primeiro brasileiro e latino-americano a ter o status de membro permanente da Câmara Sindical de Alta-Costura da França, o que foi obtido em 2011 e acaba de ser renovado neste mês. Ocimar Versolato também havia feito desfiles de alta-costura em Paris, em meados dos anos 90, mas como "convidado".
Formado em arquitetura, passo a passo (ou de fio em agulha, como diriam os franceses) Lins foi alinhavando sua trajetória na moda. Em meados dos anos 80, ele foi para Barcelona, na Espanha, fazer um doutorado em arquitetura. Mas, paralelamente, se inscreveu em um curso sobre as técnicas de base da costura. E optou definitivamente por essa profissão.
Ele se instalou em Paris em 1989 e entrou rapidamente na área. Durante 14 anos, trabalhou como modelista para as maiores grifes francesas: Jean-Paul Gaultier, Louis Vuitton, Kenzo, Balenciaga, entre outras. Em 2003, sem nunca ter estudado em uma escola de estilismo, ele decidiu criar sua própria marca, que leva seu nome, inicialmente com modelos masculinos. Pouco depois, veio a coleção feminina de prêt-à-porter. E desde 2007 o brasileiro já vinha participando dos desfiles de alta-costura como "convidado" da federação francesa.
Para Lins, ouvir o comentário de que seus modelos são "simples" é um "elogio", afirma. "A peça de alta-costura que leva centena de horas para ser realizada é algo que corresponde ao século 19." Ele prefere peças que possam ser usadas o dia todo. Os estudos de arquitetura são aplicados na moda. "Roupa tem de ser prática. É como uma casa onde você vive", diz Lins em seu ateliê, no bairro do Marais, em Paris.
O quimono japonês, cujo corte estruturado sempre o fascinou, se tornou a referência estética de seus modelos nos últimos anos, tanto femininos quanto masculinos. John Galliano, ex-costureiro da Dior, comprou vários casacos desse estilo criados pelo brasileiro. Mas a geometria do quimono tende a se transformar e a desaparecer de suas coleções, conta Lins. Isso já foi visto em seu recente desfile de alta-costura parisiense, na semana passada. Vestidos, blazers e capas inspirados na Espanha podiam lembrar, indiretamente, peças de quimonos.
Os modelos de prêt-à-porter, que representam 80% de suas vendas, custam entre € 400 e € 3 mil e são encontrados em 25 lojas seletas - como a L'Éclaireur, em Paris ou a Dantone, em Milão - em vários países da Europa e também nos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Kwait, entre outros mercados. As peças únicas de alta-costura custam entre € 5 mil e € 25 mil e são vendidas em seu ateliê parisiense.
O brasileiro trabalha também com a grife Hermès em um projeto para reciclar lenços de seda com defeitos e retalhos de couro e transformá-los em novas peças. Ele ainda é consultor da Lacoste na área de modelismo industrial. Essas colaborações para grandes grupos permitem injetar recursos nos projetos e desfiles de sua própria marca.
Para Lins, é inevitável que uma marca de moda, para se expandir e ter maior visibilidade, se associe a um investidor financeiro ou grande grupo. É justamente o que ele busca atualmente, já que tem projetos de lançar sua grife nas áreas de perfumes, cosméticos, acessórios, sapatos e artigos para casa.